Apresentação para Odete Semedo de Guiné Bissal

 





Olá povo lindo e amoroso, sou Griôzinho, sou um Kalunga e minha cabeça é de cabaça. 

Trago as histórias da nossa mãe África e minha corda da cabaça ainda está ligada à minha mãe. Me orgulho da função que os deuses me deram e ando sempre de cabaça erguida. Quando eu balanço a cabeça espíritos dos ancestrais e dos irãs se aproximam para nos auxiliar.

E agora eu peço licença aos nossos ancestrais e todos e todas que chegaram nesse plano antes de mim. 

Hoje vou contar a história de um rei muito mal que foi dominado pela poderosa canção do balafon ou xilofone.

Mas antes preciso informa-lhes que esse poder do balafon foi dado aos Griôs. É através deles que as histórias, as memórias, os valores, os saberes ancestrais e o conhecimento das consequências que cada ação do homem ou da natureza irá trazer. São eles que fortificam as raízes e os elos que nos ligam à nossa ancestralidade, seja pelo poder de suas palavras, seja pelo poder dos sons de seus instrumentos.

Se investigarmos a origem dos griots, veremos sangue de alguma forma presente. Em bambara, a palavra usada para griot – djeli, jeli ou dieli, é a mesma usada para sangue

Os griots, como o sangue, circulam pelo corpo da sociedade, podendo trazer, através de palavras e canções, tanto a cura quanto a doença.

No mundo mandengue, os rituais (como cerimônias de casamento, batizado, circuncisão) não existem sem a música, a dança e a presença do Jèli, o Griô, com seus cantos cerimoniais e seus hinos de louvor.

O Griô é poeta, cantor e músico pertencente a uma casta especial que, além de cronista e detentor da tradição oral do grupo, frequentemente exerce atribuições religiosas.

A música de um griô é feita na forma de canto ou de discurso, onde se fala sobre genealogias, sabedoria em geral ou história mandingue. Os Griôs tocam vários instrumentos, mas geralmente são vistos em suas performances tocando balafon, kora, ou ngoni.

Agora sim, podemos começar a história do rei feiticeiro. Quem contou ela foi o grio Djeli Mamadou Kouyaté – herdeiro do conselheiro que tocou o balafon ao rei cruel. Ele fala sobre o quão terrível é Soumaoro.

Sim, Soumaoro é o nome do rei que será vencido pelo lindíssimo som do balafon.

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